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O futebol brasileiro deixou de ser apenas paixão e passou a ganhar espaço como ativo econômico. Nos últimos anos, o setor evoluiu em gestão, governança e modelos de negócio, atraindo investidores nacionais e estrangeiros. A grande pergunta é: clubes de futebol na bolsa de valores são uma realidade possível no Brasil?
A Lei da SAF e a profissionalização dos clubes
A aprovação da Lei da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), em 2021, marcou um ponto de virada. Ela permitiu que clubes se reorganizassem como empresas, facilitando a entrada de capital privado, profissionalizando a gestão e criando um ambiente mais seguro para investimentos.
Esse modelo, já comum na Europa, começou a ganhar força no Brasil, especialmente entre clubes de grande torcida e relevância esportiva. O país se destaca por ser um celeiro de talentos, o que aumenta o interesse de investidores globais em projetos ligados ao futebol e ao entretenimento.
Futebol brasileiro como oportunidade de investimento
O futebol movimenta cifras bilionárias e conta com uma base de consumidores extremamente fiel: os torcedores. Antes da SAF, o setor enfrentava insegurança jurídica e gestões pouco profissionais, o que limitava investimentos estruturados. Agora, o cenário começa a mudar.
No curto prazo, a tendência é que os grandes clubes concentrem a maior parte dos aportes. Já no longo prazo, clubes menores podem se tornar alvo de investidores com perfil mais arrojado, focados em crescimento, formação de atletas e valorização de ativos.
Clubes de futebol na bolsa: isso pode acontecer no Brasil?
No mercado internacional, clubes como Manchester United, Juventus e Borussia Dortmund já possuem ações negociadas em bolsa. No Brasil, esse caminho ainda é mais longo, pois exige altos padrões de governança corporativa, transparência e controle financeiro.
A abertura de capital (IPO) impõe regras rígidas, o que pode ser desafiador para clubes historicamente marcados por gestões amadoras e alto endividamento. Ainda assim, com o avanço da SAF, da entrada de fundos e da maior profissionalização do setor, a listagem em bolsa passa a ser vista como um passo natural no amadurecimento do mercado.
Há também expectativas de modelos alternativos no futuro, como tokenização de ações, acompanhando a evolução regulatória do mercado financeiro e de criptoativos.
Gestão, desempenho e impacto no valor das ações
Um clube listado em bolsa funciona como qualquer empresa de capital aberto: precisa divulgar resultados, manter governança sólida e buscar sustentabilidade financeira. Isso tende a gerar efeitos positivos, já que boas administrações costumam refletir em melhores resultados esportivos.
No entanto, o setor apresenta uma característica própria: a volatilidade. Resultados em campo, transferências de jogadores, classificação em campeonatos, desempenho operacional e até fatores macroeconômicos influenciam diretamente o preço das ações. A paixão do torcedor pode amplificar movimentos de alta e baixa, mas, no longo prazo, fundamentos como gestão e geração de receita continuam sendo determinantes.
Perspectivas para o mercado brasileiro
Com a consolidação da SAF, a entrada de investidores institucionais e a possível criação de uma liga nacional mais forte, o futebol brasileiro caminha para um novo ecossistema de negócios. A expectativa é que, nos próximos anos, cada vez mais clubes tenham participação de capital externo, elevando o nível de profissionalismo do setor.
Para o investidor, o futebol deve ser visto como um ativo de maior risco e volatilidade, mas com potencial de retorno atrelado à boa gestão, marca forte e capacidade de geração de receitas recorrentes.
Principais clubes de futebol listados em bolsas pelo mundo
- Manchester United – Bolsa de Nova York (NYSE)
- Juventus – Bolsa Italiana
- Borussia Dortmund – Bolsa de Frankfurt
- Roma – Bolsa Italiana
- Ajax – Bolsa de Amsterdam
- Celtic – Bolsa de Londres
- Benfica – Euronext Lisboa
- Lazio – Bolsa Italiana
- Sporting – Euronext Lisboa
- FC Porto – Euronext Lisboa.














