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Os contratos futuros são instrumentos financeiros amplamente utilizados no mercado de investimentos para proteção (hedge) e estratégias de especulação. Eles fazem parte da categoria dos derivativos, ou seja, ativos cujo valor está diretamente ligado à variação de outro ativo de referência, como commodities, moedas, índices ou ativos financeiros.
O que são contratos futuros?
São acordos firmados entre duas partes que estabelecem a compra ou venda de um ativo em uma data futura, por um preço previamente definido. Esses contratos são padronizados e negociados em bolsa, o que garante maior segurança, transparência e liquidez.
No Brasil, são negociados exclusivamente na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão). Já os contratos não padronizados, negociados diretamente entre as partes, fazem parte do chamado mercado de balcão.
A padronização é uma de suas principais características, pois define regras claras sobre tamanho do contrato, forma de liquidação e datas de vencimento, permitindo que qualquer participante do mercado compre ou venda esses ativos com facilidade.
Para que servem?
Por dependerem da variação de preços de outros ativos, os contratos futuros são utilizados principalmente para dois objetivos:
- Proteção (hedge): reduzir ou eliminar riscos causados por oscilações de preços.
- Especulação: buscar ganhos financeiros com a variação dos preços no curto ou médio prazo.
Exemplo prático de hedge
Imagine um produtor rural que pretende plantar café. Ele sabe que, ao final de um ano, colherá mil sacas, mas não tem como prever qual será o preço do café no futuro. Mesmo que o valor atual torne a produção viável, uma queda nos preços poderia gerar prejuízos.
Para reduzir esse risco, o produtor pode vender contratos futuros de café, travando hoje o preço de venda para entrega daqui a um ano. Assim, ele garante previsibilidade de receita, independentemente das oscilações do mercado.
Por outro lado, quem compra esse contrato está assumindo o risco oposto, apostando que o preço do café subirá e permitirá lucro com a diferença entre o valor contratado e o preço de mercado no futuro.
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Principais características
Os contratos possuem elementos padronizados que facilitam sua negociação e entendimento. Entre os principais, destacam-se:
- Objeto de negociação: ativo de referência cuja variação de preço determina o valor do contrato, como ações, dólar, café ou boi.
- Cotação: valor atribuído a cada unidade do ativo, geralmente expresso em reais (exemplo: reais por saca ou reais por dólar).
- Unidade de negociação: tamanho do contrato. Por exemplo, contratos de café representam 100 sacas de 60 kg, enquanto contratos de dólar podem representar US$ 50.000.
- Meses de vencimento: períodos específicos em que o documento pode ser liquidado.
- Forma de liquidação: pode ser física (entrega do ativo) ou financeira (ajuste em dinheiro).
Todas essas informações fazem parte do código do acordo, garantindo clareza e acesso igualitário a todos os participantes do mercado.
Como ocorre a sua formação de preços?
Os preços são definidos por meio da interação entre compradores e vendedores nos sistemas eletrônicos de negociação da bolsa. Esse processo competitivo reflete as expectativas do mercado sobre o valor futuro de um ativo.
Devido à alta volatilidade, os preços podem variar significativamente ao longo do dia ou de um pregão para outro. Para compreender essa dinâmica, é fundamental analisar a relação entre o preço à vista e o preço futuro.
Relação entre preço à vista e preço futuro
De forma simplificada, o preço futuro pode ser estimado considerando fatores como taxa de juros, tempo até o vencimento e custos envolvidos no carregamento do ativo. Essa relação pode ser representada pela seguinte expressão:
PF = PV × (1 + i)ⁿ + CC + E
Onde:
- PF: preço futuro
- PV: preço à vista
- i: taxa de juros diária
- n: número de dias úteis até o vencimento
- CC: custo de carregamento (frete, armazenagem etc., no caso de commodities)
- E: componente de erro ou ajuste de mercado
Para ativos financeiros, como índices ou moedas, o custo de carregamento geralmente é considerado zero.
O que é a base nos contratos?
A base é a diferença entre o preço à vista e o preço futuro de um ativo. Um ponto fundamental do mercado futuro é que, à medida que o vencimento do contrato se aproxima, esses dois preços tendem a convergir.
No vencimento, o preço futuro e o preço à vista devem ser iguais. Essa convergência é essencial para o funcionamento do mercado e para a eficácia das estratégias de hedge.
Dois fatores principais explicam esse movimento:
- Liquidação do contrato: seja por entrega física do ativo ou por liquidação financeira baseada em preços à vista confiáveis.
- Arbitragem: quando surgem distorções entre os preços à vista e futuros, participantes do mercado atuam para explorar essas diferenças, forçando o alinhamento dos preços.
Embora possam se mover de forma diferente ao longo do tempo, preço à vista e preço futuro tendem a se igualar conforme o vencimento se aproxima, fazendo com que a base caminhe para zero.














